(via lazarusofarabia)
sobre os apegos da vida na frente de batalha,
Para nenhum homem a terra é tão importante quanto para um soldado. Quando ele se comprime contra ela demoradamente, com violência, quando nela enterra profundamente o rosto e os membros, na angústia mortal do fogo, ela é o único amigo, seu irmão, sua mãe. Nela ele abafa o seu pavor, e grita no silêncio e na segurança; ela o acolhe e o libera para mais dez segundos de corrida e de vida, e volta a abrigá-lo: às vezes, para sempre!
Terra, terra, terra!
Ó terra, com teus relevos, tuas covas e tuas depressões, onde a gente pode-se atirar, e se agachar! Terra, nos espasmos de horror, no romper do aniquilamento, no grito mortal das explosões, tu nos deste a poderosa contracorrente que nos tira da inércia paroxística e nos torna a salvar a vida! A tormenta furiosa de uma existência quase destruída reflui de ti para nossas mãos, e nós, que escapamos, enterramo-nos em ti, e, na felicidade muda e nervosa de termos sobrevivido a estes minutos vencidos, nós te mordemos com fúria!
Nada de Novo no Front, Erich M. Remarque.
O livro me serviu de inspiração há alguns meses atrás,
E o corpo permanece insepulto, com as víceras espalhadas ao frio chão. Não há mais o que fazer, o seu amargurado coração foi roubado. Souberam que a mais temível das guerras já presenciadas, em sua mente e corpo fez-se um campo de batalha. O pobre homem não resistiu. Uma morte trágica para um bravo guerreiro, e acima de tudo sofrível amante. Consumatum est.
E por ironia do destino, o front nunca mais foi o mesmo.








